• Laura Costa

Como a cooperação internacional impacta nossas vidas e como ela pode ser uma saída para o COVID-19

Atualizado: 7 de Jul de 2020



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A identificação de problemas constitui uma parte importante no manejo de uma crise. É importante termos ciência sobre quais e com que tipos de problemas estamos lidando. Mas, somente isso, não é suficiente. É preciso buscar soluções para eles. Hoje comecei o meu dia pensando nisso: quais soluções podem ser sugeridas no momento em que estamos vivendo atualmente? Quais saídas podemos pensar para a crise hoje?


Em um primeiro momento, costumamos pensar na Cooperação Internacional como algo distante de nós e incapaz de impactar nossas vidas de maneira direta. A Cooperação Internacional é algo que pode gerar impacto positivo se bem trabalhada e dada a devida atenção e importância, se tornando uma solução que alivia crises.


Algumas primeiras impressões precisam ser deixadas de lado a partir daqui. Falar de Cooperação Internacional não é idealizar e imaginar o mundo como um lugar da mais pura paz e harmonia. Cooperar com o outro é um exercício difícil, e isso não é diferente a nível internacional. A nível político ou profissional, cooperar pode exigir preparo, concessão, disposição e vontade de ver a coisa funcionar. Pode envolver também identificar interesses em comum, mas não excludentes. Cooperar envolve interesses e estratégia (FILHO; PEREIRA, 2015).


Neste contexto, a cooperação internacional pode ser pensada de diferentes formas. A cooperação pode ser vista de forma mais racional, onde pessoas se coordenam de forma cooperativa visando um ganho maior entre os envolvidos. Assim, pode ser admissível dizer que toda cooperação somente faz sentido se ela gera ganhos para as partes envolvidas, as fazendo, por exemplo, alcançar seus objetivos (FILHO; PEREIRA, 2015).


Também, a cooperação pode ser enxergada como uma construção de laços. Nesse caso, reitera-se a cooperação como parte da interação social humana, como qualquer outro tipo de relação social. A cooperação é vista sobre a ótica antropológica da dádiva e como ela envolve e cria uma relação de amizade mútua entre as partes. Tal perspectiva chama a atenção para ações como a de ajuda e de doações no âmbito internacional (FILHO; PEREIRA, 2015).


O que quero dizer é que estas duas perspectivas nos ajudam a entender que uma mesma cooperação, seja ela qual for, pode ser vista de formas diferentes, e que ambas enriquecem o nosso entendimento sobre o que vem a ser Cooperação Internacional, para que possamos entendê-la na prática.


É importante ressaltar que cooperação internacional não é somente praticada por países. Seria um engano pensar assim. Ela pode envolver atores não-estatais como, por exemplo, os estados brasileiros, isto é, atores subnacionais, assim como atores transnacionais, como é o caso de empresas, faculdades, indústrias, entre outros possíveis atores.


A Cooperação Internacional pode envolver e impactar o local, inclusive e especialmente em momentos sensíveis e delicados como os de crise. Ações como as da Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nas favelas do Rio de Janeiro, que distribuiu, com a ajuda de parceiros locais, sabonetes para famílias numerosas e carentes, e as conscientizou sobre as medidas preventivas contra o COVID-19, elucidam o meu argumento deste texto (AQUI..., 2020).


Em Belo Horizonte, um movimento importante e que pode gerar ganhos para a nossa cidade (e não só para nossa cidade) merece atenção. Há poucos dias atrás (27/03), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) formaram uma coalizão com universidades do Reino Unido e da China, com o intuito de trocar conhecimento científico, que está relacionado a uma diversidade de aspectos no combate ao COVID-19 (UFMG..., 2020).

A crise do Coronavírus tende a reforçar ações como essa, principalmente por ser uma crise de escala global, onde experiências sobre o problema confluem em um objetivo só: combater a atual pandemia. Não é hora de criar novos inimigos, é tempo de nos unir para derrotar um inimigo invisível que já temos. Precisamos de expertise e conhecimento para enfrentar essa crise, mas só faremos isso através da cooperação, seja ela internacional, seja ela local.

Referências


“AQUI o sabonete era um só para todos”, diz carioca ao receber doação da UNICEF e Granado. ONU Brasil. Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: https://nacoesunidas.org/aqui-o-sabonete-era-um-so-para-todos-diz-carioca-ao-receber-doacao-da-unicef-e-granado/amp/. Acesso em: 07 abr. 2020.


FILHO, Onofre do Santos; PEREIRA, Chyara Sales. A operacionalidade conceitual da ideia de cooperação internacional e suas implicações: troca estrita e troca generalizada na Sociedade Internacional. Belo Horizonte: 5º Encontro da Associação Brasileira de Relações Internacionais – ABRI, 2015.


UFMG e Fiocruz formam coalizão com China e Reino Unido para combate à COVID-19. UFMG, Belo Horizonte, 2020. Disponível em: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/ufmg-e-fiocruz-formam-coalizao-com-china-e-reino-unido-para-combate-a-covid-19. Acesso em: 07 abr. 2020.


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