• Laura Costa

A notícia que desinforma: as fake news como um risco à democracia

Atualizado: 16 de Ago de 2020


Fonte: Correio Brasiliense (Divulgação/gov es)


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Você provavelmente já pensou em como a internet definiu as últimas eleições, certo?!


O WhatsApp, particularmente, teve uma grande influência sobre as pessoas no período de eleição e no seu processo decisório. Nesse texto vamos tratar sobre essa nova PL das #fakenews.

Apesar do potencial positivo que a internet pode ter sobre uma eleição, ela acabou exercendo um papel negativo, com as tão conhecidas e comentadas fake News! Como esquecer de discursos que beiram o ridículo adotados por Bolsonaro e que foram massivamente veiculados pelo WhatsApp? Tenho certeza que você ou algum conhecido seu já recebeu! Hoje em dia temos cada vez mais comprovado que isso se trata da existência de uma milícia digital, que atuou em prol da eleição de Bolsonaro.


Aqui em Beagá, tem-se um estigma de cidade progressista - vejo pessoas falando isso o tempo todo. Mas não é isso que a Câmara Municipal de BH reflete, por exemplo. Temos sim, progressistas, e somos muitos, mas será que somos maioria? Já subestimamos uma vez a extrema-direita e perdemos. Nada está vencido e é muita prepotência nossa achar que está, e isso é exatamente o que essa ala autoritária da política quer.


Aliás, é até um pouco de prepotência nossa achar que somos maioria baseado em quê? Na nossa bolha de Twitter? De Instagram? Vamos abrir o olho e continuar lutando nessas eleições municipais. Que, aliás, são muitas vezes deixadas de lado porque muita gente não percebe o grau de importância dos Legislativos (freios e contrapesos, falei disso no meu blog, vale pro âmbito municipal também!).


Inclusive, existem candidatos a prefeito de Beagá que estão aí usando como palanque e estratégia eleitoreira atacar o que o Alexandre Kalil tem feito durante a pandemia. Existem inúmeras coisas que BH não fez da forma como deveria: o exemplo do hospital de campanha é uma delas. Mas vale lembrar que foi uma das primeiras cidades a adotar o isolamento, seguindo regras da OMS. Podemos e devemos sim cobrar a prefeitura, e eu falo disso diariamente. Mas utilizar de um discurso perigoso e anti científico pra palanque eleitoral, pra ter o empresariado da cidade ao seu lado, é outra coisa.

Esse debate sobre a gravidade ou não do vírus em Belo Horizonte beira o insano. A subnotificação deu a falsa impressão de que estávamos seguros e depois vimos os números crescendo cada vez mais. Daí o impacto das fake news em nosso debate político, em que a desinformação passa a ser um argumento válido. Mas NÃO é! A desinformação é, inclusive, antidemocrática.

E é justamente por ser uma prática que corrói a democracia, pautada pela mentira, que ela deve ser combatida. A PL sobre Fake News que foi votada no final de junho pelo Senado tem como intuito combater essa prática, recebeu fortes críticas, sendo considerada ineficiente por muitos especialistas.


Um dos principais pontos de debate é que a PL peca pelo vigilantismo em excesso. Antes de tudo é preciso deixar claro que não dá para saber o conteúdo de mensagens que são enviadas no WhatsApp, porque são criptografadas. É algo que nem mesmo a empresa WhatsApp consegue acesso.

Pensando nisso, o projeto de lei estabelece o seguinte: toda mensagem que se tornar pública (ou seja, toda mensagem que é enviada para mais de 1000 pessoas) deve ter o seu REGISTRO (não o conteúdo) rastreado para que se faça uma investigação desses registros e se ache a fonte inicial, aquela pessoa que iniciou o envio das mensagens.

Já viu o problema disso, né?! E ainda tem mais: quem garante que todo esse vigilantismo resolverá o problema? Ao meu ver, cria uma quantidade de suspeitos que, muitas vezes, não tem nada a ver com aquilo, são só pessoas que não fizeram uma checagem daquela mensagem e passaram pra frente (o que é muito comum entre todos, cá entre nós).

O que se precisa entender é que a investigação desses registros de envio de mensagens não garante que o criador daquele conteúdo será pego. Atualmente é muito fácil ocultar de onde se está usando a internet. A utilização, por exemplo, de uma “Rede Privada Virtual” (a sigla, em inglês, “VPN”) garante a ocultação de IP’s. Utilizar de um VPN hoje em dia é algo muito fácil e simples de se fazer.


Nesse sentido, vejo que o PL tem pontos de ressalva importantes a serem analisados, para que ele não ameace a liberdade e seja eficiente. Para além disso, é importante a promoção de uma educação sobre a utilização da internet. Tem muitas pessoas que não sabem o que é montagem, por exemplo. Isso EXISTE, não se enganem.


Lutemos por uma eleição mais justa, mais informativa e democrática.


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