• Laura Costa

Belo Horizonte mais articulada com a Agenda 2030


Fonte: Templum


Para ouvir o post, clique aqui


A desigualdade é um pilar que ainda compõe a estrutura social brasileira. São práticas como a escravidão que, desde então, continuam configurando as nossas relações sociais, subjugando certas parcelas da população (leia-se negros e indígenas). Por que isso ainda continua acontecendo? Talvez porque nunca olhamos para o problema em sua raíz. Pelo contrário, nós o colocamos debaixo do tapete ou dentro de qualquer lugar que dê para esconder.


Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Brasil, os 10% mais ricos possuem 42% da renda total do país. Inclusive, esses dados incluem Belo Horizonte, em que, atualmente, segundo o Programa Cidades Sustentáveis, 12,6% da população vive na pobreza. E vai piorar: há uma tendência de aumento da desigualdade neste e nos próximos anos, muito por conta de tudo que estamos vivendo desde a chegada do Coronavírus.


Os dados apresentados pelo PNUD, tão importantes para entender nossa realidade, existem a partir de preocupações globais e tendo em vista metas colocadas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mas, qual a importância de se ter essas metas?


Vamos supor que o seu objetivo agora seja comprar um carro usado. Para conseguir adquirir esse veículo, você precisa de uma meta: economizar quinhentos reais por mês. Para medir o seu sucesso, é necessário um indicador, isto é, um número que te indique se você conseguiu o seu objetivo, está longe ou perto de alcançá-lo. Aqui, obter nove mil reais é esse marco.


O estabelecimento de objetivos é o melhor mecanismo para alcançar resultados. Isso se aplica tanto na nossa vida pessoal, quanto na resolução de problemas internacionais. Sabemos da importância de objetivos mensuráveis e claros como caminhos necessários para alcançar determinados resultados. Isso se aplica tanto na nossa vida pessoal, quanto na resolução de problemas internacionais.


A ONU, percebendo isso, elaborou um plano para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que as pessoas alcancem a paz e a prosperidade até 2030. É a chamada Agenda 2030, que engloba os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).


Objetivos ambiciosos, como acabar com a pobreza em todas suas formas e em todos os lugares (ODS 1), necessitam de metas mais claras. É por isso que, junto com 17 objetivos, as Nações Unidas também estabeleceram 169 metas ligadas a eles. Assim, uma das metas dentro do ODS 1 diz respeito à erradicação da pobreza extrema – atualmente medida como pessoas vivendo com menos de U$ 1,25 por dia.


Com os objetivos e as metas estabelecidos, o caminho fica mais claro, mas faltam ainda os indicadores. Neste caso, o que significa acabar com a extrema pobreza? Para responder isso, precisamos da porcentagem da população vivendo abaixo da linha internacional da pobreza extrema (U$1,25/dia) e, apenas assim, conseguiremos saber se estamos perto, longe, ou então se já obtivemos êxito nessa meta. Comprar um carro nos Estados Unidos, porém, é diferente de comprar um veículo no Brasil. Não só o valor de um carro usado é diferente, como também a média salarial da população ativa e o custo de vida no país. Assim, se o seu amigo americano pedir ajuda para a compra de um carro, por mais que os seus objetivos sejam os mesmos, a meta e, principalmente, o indicador, deverá ser diferente. Para ser efetivo nos Estados Unidos, o seu amigo deve adaptar essas métricas para a sua própria realidade. O mesmo acontece aqui no Brasil, no momento em que pegamos metas e indicadores globais para traduzi-los em ações no nosso país. Pensando nisso, para a meta de erradicação da pobreza extrema, um indicador nacional foi estabelecido - R$77,00 por mês, no lugar da linha internacional anterior.


Esse trabalho de adaptação das metas e indicadores se torna necessário também dentro do país. Como já sabemos, o Brasil é grande e diverso, desigual e com realidades distintas em cada região e até mesmo dentro de um mesmo município. Se pegarmos o caso de Belo Horizonte, já fica claro. Sabemos das diferentes realidades que encontramos dentro da cidade, e isso deve ser levado em consideração no momento de “municipalizar” esse trabalho – o que é chamado pela ONU de localização dos ODS. A atuação desses entes subnacionais é fundamental para que os objetivos de desenvolvimento sustentável sejam alcançados, e a presença do setor privado, da academia e da sociedade civil organizada também se faz essencial.


Precisamos pensar uma Belo Horizonte mais alinhada com essa Agenda de desenvolvimento. Estamos em 2020, se não pensarmos em aplicar isso agora, quando? BH precisa ser mais sustentável, acessível e inclusiva. A cidade e sua população merecem isso.


16 visualizações0 comentário