• Laura Costa

Mobilidade Urbana e o acesso às cidades como direito universal

Atualizado: 11 de Set de 2020



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Desde quando Kalil anunciou a flexibilização do isolamento social, ele deixou bem claro aquilo que ele não cogitava voltar em 2020: as escolas. O argumento dele é muito didático sobre isso: imaginem a cidade de Beagá em janeiro... O movimento é bem menor, não é!? Isso porque é período de férias, e o movimento cai significativamente.


O ponto em que quero chegar aqui é que promover a educação envolve mobilidade urbana também, o que me faz pensar que sem mobilidade tudo fica muito difícil em uma cidade, a começar pelo funcionamento das escolas. Nesse momento, as escolas precisam ficar sem as aulas, mas e antes disso? Belo Horizonte possuía uma mobilidade urbana que atendesse às necessidades da cidade? E como será daqui para frente?


Na verdade eu vejo a mobilidade urbana como um grande problema em nossa cidade e por isso a importância de se estabelecer esse debate. Se retomarmos a história de nossa cidade, entendemos que esse problema vem de décadas. Já nos anos de 1950, por exemplo, a quantidade de automóveis já era um grande problema para a cidade, que não conseguia comportar tanto carro andando nas ruas. O resultado era: atropelamentos, batidas e uma cidade caótica.


Se imaginarmos que, atualmente, em nossa cidade o número de carros pode ultrapassar o número de habitantes daqui 3 anos, há um indicativo de que o problema continua e de que, ao longo da história do nosso município, nada ou pouco foi feito. O que quero explicar aqui também é que o tamanho do problema que temos pela frente aumenta principalmente se considerarmos o contexto de onde vivemos.


Nossa cidade é historicamente desconexa, a começar pela sua fundação, representada pela Avenida do Contorno que divide e isola a parte central de Beagá do resto da cidade. O que mais se ouve da população é a dificuldade diária que é passar pelo centro, com um volume de carros bem maior do que as avenidas e ruas podem comportar, provocando longas filas de engarrafamento.


Aqui em Beagá nos deparamos com várias frentes que compõem o nosso transporte público, mas nenhuma delas parece dar conta de toda a cidade. São, inclusive, frentes de transporte pouco integradas. Temos as grandes quantidades de linhas de ônibus, com suas tarifas caras e sempre lotados, muitas vezes dificultando e/ou impedindo o acesso a esses serviços. O metrô que é uma eterna promessa, representando muito pouco daquilo que a cidade precisa em termos de mobilidade.....


Pensando em todos esses aspectos, eu vejo uma quantidade de medidas que podem ser tomadas por parte do município. Buscar por políticas que visem diminuir a quantidade de carros nas ruas é algo que pode ser pensado. Incentivar, por exemplo, o uso de bicicletas é um caminho que funciona. Esse tipo de mudança é algo que já existe e já faz parte do debate.


Precisamos rever novos modais de transporte para a cidade, de modo que ela seja mais inteligente e integrada. Segundo estudos em vários países, por exemplo, o metrô já não cumpre essa função por conta do seu custo e o fato de não ser exatamente sustentável. Minha proposta para mobilidade, se divide em três frentes: acessibilidade, inovação e sustentabilidade. Mas irei deixá-las para o próximo texto.


Inclusive, a própria melhoria nos serviços de transporte públicos podem melhorar a nossa realidade, incentivando a diminuição no uso de veículos particulares. É urgente termos um transporte público de qualidade, integrado, que atenda à toda população e que conecte a cidade. Junto a isso, precisamos buscar pensarmos na reestruturação do espaço da nossa cidade. Isso leva tempo, eu sei. Mas o debate e as medidas precisam ser iniciados, urgentemente!


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