• Laura Costa

O que a falta de representatividade nos conta?



Para ouvir o post, clique aqui


Você se sente representado por quem ocupa o espaço político? Ou você se sente convidado a compor esse espaço? Essa semana, na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), tivemos em pauta uma moção de aplausos ao PR Jair Bolsonaro. Inacreditável, né?! Depois desse episódio, é impossível não olhar com mais cuidado quem está ocupando a Câmara de vereadores de nossa cidade! Hoje em dia temos 41 vereadores na Câmara de Belo Horizonte. Este número é determinado pela Constituição Federal, que estipula a quantidade máxima de parlamentares por Município, proporcionalmente ao número de habitantes. São eleitos para representar a população e suas decisões devem atender ao interesse da cidade (fonte: CMBH).


Tá, mas e daí? Vamos dar uma olhadinha na aba "Conheça os vereadores", apresentada no Portal da Câmara. Repara bem essa imagem:




Tá sentindo falta de algo? Isso mesmo: representatividade. Dos 41 vereadores, apenas 4 são mulheres. Significativo, né?! Especialmente para uma capital como Belo Horizonte. Ok, mas o que é representatividade? Porque isso é importante? Bom, primeiro imagine que um país, um estado ou uma cidade é composto por uma sociedade que é, por sua vez, constituída por uma quantidade de grupos e classes (não necessariamente só a econômica). No caso do Brasil você tem mulheres, negros, LGBT’s, indígenas, jovens, crianças, adultos, idosos, etc. Convido você a parar para pensar sobre como cada um desses grupos possui uma vivência diferente, até uma cultura diferente, se pensarmos nos indígenas por exemplo. Essas vivências possibilitam uma visão de mundo e de sociedade específicas, e dentro dela, cada um possui suas demandas e necessidades, cada um com suas experiências.


Por isso, quando você tem um grupo dominando o espaço político, você tem, na verdade, um Estado relevando as necessidades de certos grupos em processos de decisão que afetam essa própria sociedade. Como falar então de uma democracia cujo Estado não consegue ouvir todas as parcelas dessa população? Eu respondo: temos uma democracia falha. Por isso a representatividade é tão necessária. E isso é algo que precisamos mudar no Brasil, incluindo Beagá.


Muito se fala em renovação, mas ela não deve ser só de números em si: dos 41 vereadores, Belo Horizonte teve 23 novos vereadores, ou seja, vereadores em primeiro mandato. Houve uma renovação de "rostos" e de novos quadros (o que é importante), mas não podemos parar por aí. Precisamos de uma renovação que realmente inclua novas práticas e princípios. Um novo rosto com as mesmas práticas de praxe não muda o cenário. A diversidade, de gênero, classe, raça e sexualidade, precisa ser parte central desta renovação. Precisamos de uma juventude mais presente, unida e participativa também.


Mas nós, de uma ala mais progressista da população, precisamos nos atentar também para a quantidade de vereadores pertencentes à ala conservadora. Inclusive um desses vereadores, Jair Di Gregório, foi quem propôs essa absurda moção de aplausos. Após pressão popular, alguns vereadores que haviam assinado a moção, pediram a retirada de suas assinaturas e até votaram contra. Mas e se ninguém tivesse se mobilizado? E se ninguém pressionar? E se ninguém fiscalizar? Dá uma olhadinha em quem votou a favor dessa moção de aplausos. São poucos (08), mas são significativos. Quem se absteve também é cúmplice. Serão lembrados. Devemos nos lembrar.



Gente, eleição tá batendo na porta, precisamos estar atentos. Ao invés de construir e idolatrar falsos heróis precisamos participar mais e cobrar mais. Tem muita ala bolsonarista à espreita, começando a fazer barulho e incomodar. Não podemos deixar que esse cenário de crise impulsione ainda mais esse setor autoritário. Precisamos de mais renovação, precisamos de mais ideias propositivas dentro da Câmara, que vão levar nossa cidade pra frente, não à gastar tempo e dinheiro público propondo aplausos à alguma figura.


E lembrando que aqui eu estou me colocando claramente contra à postura do Jair Di Gregório de não só sugerir essa moção absurda, como também de me bloquear de suas redes quando eu o questionei sobre isso. Propus um diálogo propositivo entre nós e ele simplesmente bloqueou minha solicitação. Aprendi que "se a cidade é de todos nós, a política também deve ser". É esse tipo de gente que queremos na Câmara? É esse tipo de gente que elegemos para nos representar?


51 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo