• Laura Costa

Visibilidade LGBTQI



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Junho é conhecidamente o mês do orgulho LGBTQI+ - é difícil não lembrar disso em meio a tantos arco-íris estampando campanhas de marcas diversas. Hoje, decidi trazer pro blog uma autora (e amiga) que admiro um TANTO, a Sofia Dolabela, que tem um projeto de representatividade literária INCRÍVEL chamado Em Caso de Urgência.


Com a palavra, Sofia:


Por qual motivo celebramos a diversidade justamente nesse mês? Para entender a origem dessa história, precisamos voltar no tempo, mais especificamente no dia 28 de junho de 1969, quando, em um bar em Nova Iorque, aconteceu o que chamamos de Rebelião de Stonewall.


Naquela época, a homossexualidade era crime em grande parte dos Estados Unidos. O bar Stonewall Inn era um dos poucos pontos de encontro e refúgio de pessoas LGBTQI+ em Nova Iorque e, assim como muitos outros bares da cidade, frequentemente era palco para ações arbitrárias da força policial local, que realizava revistas humilhantes e detenções daqueles que ali estavam. Na noite do dia 28 de junho de 1969, alguns policiais entraram no bar, agrediram clientes e assediaram mulheres lésbicas - o que acontecia rotineiramente. A única diferença foi que, naquela vez, os frequentadores reagiram à violência atirando garrafas, moedas e outros objetos contra os policiais, gerando um levante que entrou para a história como o marco para a consolidação de um movimento organizado pelos direitos desse grupo, dando origem à realização das paradas do orgulho LGBTQI+ em todo o mundo.


No Brasil, a organização política de pessoas LGBTQI+ foi intensificada durante a década de 1970 - durante a ditadura militar - por meio de encontros e debates em bares e clubes e a circulação de panfletos, cartilhas e outras publicações que reivindicavam os direitos desse grupo. Jornais como o “Lampião da Esquina” e “ChanacomChana” denunciavam a violência contra pessoas LGBTQI+ e prisões arbitrárias, opondo-se ao regime militar. Naquela década, muitos grupos ativistas foram fundados e articularam suas ações em conjunto, compondo uma força de resistência contra a ditadura.


Mas por que é importante entender e falar sobre isso? Segundo o relatório “Homofobia Patrocinada pelo Estado”, produzido ao fim do ano de 2019 pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais (ILGA), 70 países consideram a homossexualidade um crime e seis deles punem esse crime com a pena de morte, enquanto em outros 26 a punição máxima pode ser a prisão perpétua. Em nosso país, segundo o relatório anual do Grupo Gay da Bahia, um LGBT é assassinado ou tira a própria vida a cada 20h e a expectativa de vida de pessoas transsexuais é, em média, 35 anos.





Os dados refletem uma realidade violenta que nega, sistematicamente, a garantia de direitos básicos aos indivíduos LGBTQI+. Enfrentamos agressões morais, verbais e físicas na escola, no mercado de trabalho e dentro de casa, inclusive correndo risco de vida, e não temos o mesmo acesso à oportunidades que as pessoas que não compõem a sigla. Continuamos sendo marginalizados e invisibilizados, mesmo 51 anos após Stonewall. Mesmo após todo esse tempo, ainda precisamos ocupar espaços em que possamos fazer com que nossas vozes e demandas sejam ouvidas. Estampar produtos com um arco-íris não chega nem perto do suficiente - não queremos que se importem com nosso dinheiro, queremos que nos escutem e que nos deixem viver.


Referências


CARTER, David. Stonewall: The Riots That Sparked the Gay Revolution. Boston: Macmillan Publishers, 2004.


FÁBIO, André Cabetti. A trajetória e as conquistas do movimento LGBTI brasileiro. [S.i.]: Nexo Jornal, 2017. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/explicado/2017/06/17/A-trajet%C3%B3ria-e-as-conquistas-do-movimento-LGBT-brasileiro Acesso em: 28 jun., 2020.


GEOGHEGAN, Tom. A riot that changed millions of lifes. Washington: BBC News, 2019. Disponível em: https://www.bbc.com/news/world-us-canada-48643756 Acesso em: 28 jun., 2020.


Dados


Grupo gay da Bahia (GGB). Relatórios anuais de mortes LGBTI+. [S.i.]: GGB, 2020. Disponível em: https://grupogaydabahia.com.br/relatorios-anuais-de-morte-de-lgbti/ Acesso em: 28 jun., 2020.


The International Lesbian, Gay, Bisexual, Trans and Intersex Association (ILGA). State-sponsored Homophobia report. [S.i.]: ILGA, 2020. Disponível em: https://ilga.org/state-sponsored-homophobia-report Acesso em: 28 jun., 2020.





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